Como fotografar usando o modo manual da câmera fotográfica

Por Roni Sanches

São 3 Pilares para Fotografar no Modo Manual

Olá, eu sou o Roni Sanches fotógrafo de família à mais de 12 anos e hoje vou explicar Como e Porquê você deve aprender primeiro a fotografar no modo manual

 

Um dia desses uma amiga que está se preparando para entrar na fotografia profissional de família me contou o seguinte:

 

Ela havia comprado uma câmera fotográfica DSLR nova (que são essas câmeras que a lente sai e tem espelho).

 

Nunca manuseou uma DSLR, então ela procurou no youtube algum vídeo que a ensinasse a manusear. 

 

E encontrou um rapaz que ensinou-a a usar a câmera no modo AV (canon) ou A (nikon). 

 

Aí ela entrou em contato comigo e disse que estava tendo muita dificuldade de fotografar no modo manual, mas que no modo AV já estava conseguindo.

 

Para você entender o porquê dela estar com essa dificuldade, vou te contar como foi quando a Dri foi tirar a carta de motorista dela.

 

Isso foi há uns 12 anos atrás. Eu tentei ensiná-la, mas como santo de casa não faz milagre, ela teve que se matricular em uma auto escola para ter aulas e aprender a dirigir.

 

Em qual carro ela tirou a habilitação? Câmbio automático ou câmbio manual?

 

Óbvio que foi no câmbio manual. E qual o processo de aprendizagem ela teve que superar?

 

São algumas variáveis: pedal da embreagem, pedal do freio, pedal do acelerador. Alavanca das marchas. Volante, seta, espelhos… 

 

Muita coisa para coordenar ao mesmo tempo e fazer o carro andar sem solavancos…

 

O instrutor era um senhorzinho de uns 80 anos, uma lenda viva lá no bairro, que ensinou metade da Vila Diva a dirigir. Ele teve que ter bastante paciência, pois a Dri nunca tinha sequer pensado em dirigir.

 

O normal eram 15 aulas, mas ela ao final de 30 aulas e mais de 30 dias depois, conseguiu enfim tirar a carteira de motorista!

 

Nesse momento, ela já estava pisando na embreagem, trocando de marcha, pisando no acelerador e soltando a embreagem para colocar o carro em movimento sem precisar pensar nisso, pois esse conhecimento já estava internalizado na mente dela.

 

Pouco tempo depois nós trocamos o nosso Palio Adventure por um Tucson, que era câmbio automático.

 

Agora me pergunta quanto tempo ela demorou para conseguir pilotar o Tucson?

 

Acho que foi apenas algumas horas e ela já estava dirigindo normalmente.

 

Agora imagina se fosse o contrário: Se ela tivesse aprendido a dirigir em um carro com câmbio automático e depois fosse tentar dirigir um carro com câmbio manual.

 

Você acha que daria certo? É óbvio que NÃO!

 

Fotografar no modo Manual seria como dirigir um carro com câmbio manual e fotografar no modo AV seria como dirigir um carro com câmbio automático.

 

O mesmo ocorre quando um fotógrafo aprende a manusear a câmera usando um modo semi automático como o modo AV e depois decide fotografar no modo Manual. 

 

Não há possibilidade, pois ele “pulou” uma parte do aprendizado.

 

Quando se fotografa no modo automático (que eu não recomendo) ou no modo semi-automático (AV ou TV), eu “delego” para câmera algumas decisões que normalmente eu faria, ficando com menos coisas para pensar e podendo me concentrar mais nas fotos em si.

 

E isso é muito bom, mas se não souber como ajustar manualmente aquelas funções que foram delegadas é como eu delegar o tratamento das minhas fotos para designer externo e não explicar para ele que tipo de tratamento ele deve fazer.

 

Ele pode acertar mas também pode fazer coisas diferentes do que eu pensei.

 

Ou seja, se eu também souber tratar fotos, será mais fácil de eu dizer para o designer como quero que ele faça o serviço, pois posso indicar os presets do meu gosto, etc.

 

Eu vejo muita gente entrando na fotografia (seja por hobby, seja profissional) sem aprender os conceitos básicos necessários, a pessoa pega a câmera, coloca no “P” e já sai fotografando.

 

Nada contra isso, mas se você puder dedicar um tempinho a entender como esse equipamento maravilhoso funciona, com certeza a evolução do fotógrafo vai ser mais consistente e duradoura.

 

É como aprender a andar de bicicleta, depois que automatizar o processo, nunca mais esquece. Pode até ficar um pouco enferrujado, mas esquecer não esquece.

 

Concluindo, o modo AV é bem interessante MAS eu prefiro que você use ele depois de aprender o modo manual.

 

Mas e agora Roni, o modo manual é muito difícil, eu já tentei ler o manual da câmera, já assisti vários vídeos e nunca aprendi

 

Se você é uma dessas pessoas traumatizadas, eu digo que HOJE chegou o seu dia de quebrar essa crença.

Sabe porquê hoje você vai aprender? 

 

1- Porque primeiro você vai compreender COMO a câmera funciona e só depois vou ensinar a manuseá-la.

 Vai por mim, quando você sabe porque está fazendo aquilo fica muito mais fácil. 

 

2 – Simplesmente porque eu ensino isso há muitos anos nos nossos cursos introdutórios e no nosso estúdio para os colaboradores que chegam e NUNCA houve alguém que não aprendesse. 

 

Então você também vai aprender, tenho certeza disso.

 

São três PILARES que regem toda a criação de uma imagem dentro da câmera:

 

Essa Santa Trindade é composta pela ABERTURA, VELOCIDADE E ISO que trabalham em conjunto o tempo todo.

 

O ajuste desses três elementos é responsável pela EXPOSIÇÃO da foto, que é o balanço das áreas claras e escuras. 

Via de regra, uma foto com a exposição bem balanceada, deve ser nem clara demais  (estourada) nem escura demais (sub-exposta).

 

Como funciona a câmera?

 

SENSOR (na câmera) e OBTURADOR (na lente)

 

O SENSOR DA CÂMERA

 

É o coração da câmera, ele recebe a luz e transforma em imagem.

 

Quanto maior o sensor, maior a qualidade da imagem.

 

SENSIBILIDADE ISO

 

Traduzindo para as câmera analógicas, o SENSOR seria o filme, onde eram gravadas as fotos.

E antigamente cada filme tinha uma ISO específico.

 

Nas câmeras atuais, quem define o ISO é o SENSOR.

 

Cada tipo de sensor tem uma sensibilidade ISO,  ou seja, cada um tem maior ou menor capacidade de lidar com pouca luz. 

 

Normalmente, quanto maior o sensor, maior a capacidade de lidar com pouca luz e maiores serão os valores de ISO da câmera.

 

E o que isso interfere na foto?

 

A escala de ISO varia de ISO 100 até absurdos ISO 100.000 ou mais, pois isso não para de crescer.

 

A melhor qualidade de foto é obtida com o menor ISO possível. 

 

O que importa na hora de fotografar, é saber até quando posso subir o ISO sem “estragar a foto”, ou seja, sem causar ruídos na imagem.

 

Nas câmeras DSLR com sensor APS-C (menores), uma boa margem de segurança é não ultrapassar o ISO 1250 ou ISO 1600.

 

Já nas câmeras DSLR com sensor Full Frame (maiores), as fotos ficam boas até ISO 3200 e até mais que isso.

 

Com relação ao efeito criativo, o ISO tem pouca utilidade, a não ser em fotos muito artísticas, em que o fotógrafo queira propositadamente criar ruídos na imagem.

 

No meu trabalho de fotografia de família, utilizo sempre o menor ISO possível, para preservar a qualidade das imagens.

 

O OBTURADOR (OU DIAFRAGMA) DA LENTE 

 

Se o sensor é o coração, o obturador podemos chamar de pulmão da câmera.

 

É através dele que a luz vai passar para atingir o sensor.

 

O estado normal dele é FECHADO

 

Ele só abre e fecha quando aperta o botão para tirar uma foto.

 

Nesse momento ele abre, a luz entra e vai até o sensor e ele fecha novamente.

 

O OBTURADOR é controlado manualmente em 2 funções: 

 

O TAMANHO DA ABERTURA por onde a luz vai passar  

 

A VELOCIDADE em que o diafragma vai abrir e fechar.

 

Cada uma dessas funções implica em resultados diferentes na foto.

 

Vamos entender isso:

 

ABERTURA:

 

É o tamanho do buraco por onde a luz vai passar.

 

O tamanho do “buraco” é representado em uma escala de F stops que vai de F1.2 (buraco maior = mais passagem de luz) até F22 (menor buraco possível = passa pouquíssima luz).

 

Sabendo disso, você já chega a conclusão de que ambientes com pouca luz requerem uma abertura maior (número F menor) para entrar mais luz e ambientes com muita luz, talvez seja preciso fechar o obturador (número F maior) para evitar o excesso de luz.

 

O principal efeito criativo ao controlar a abertura, está no foco da imagem..

 

A Abertura é responsável pela Profundidade de Campo que a minha foto vai ter, ou seja, é ela quem determina o que vai estar focado na imagem.

 

A profundidade de campo a grosso modo é a distância que o foco atinge. 

 

Por exemplo, se tiver em uma mesma imagem duas pessoas, uma a frente da outra com distância de 50cm entre elas e a abertura da lente for por volta de 2.8f, uma das pessoas ficará desfocada, pois a profundidade de campo nessa abertura é bem pequena.

 

Para as pessoas estarem focadas, a abertura teria que ser no mínimo 9f ou 13f.

 

É através da abertura que eu determino se quero desfocar o fundo ou se quero tudo focado.

 

Nos ensaios fotográficos, eu uso aberturas diferentes conforme o tipo de ensaio e momento dele.

 

Por exemplo, quando estou fotografando bebês recém-nascidos, o foco é nos bebês e seus lindos detalhes, então uso a menor abertura possível para que eu consiga ter o controle do foco, geralmente entre 2.8f e 4f. Isso gera um lindo desfoque no cenário mas permite focar o rosto do bebê por completo.

 

Já quando vou fotografar uma família com várias pessoas, uso uma abertura entre 5.6f e 8f para garantir que todos fiquem bem expostos.  

 

Por esse motivo que o modo semi automático com prioridade de abertura (modo AV ou A) é o queridinho dos fotógrafos, porque nele eu só me preocupo em dizer qual abertura desejo (qual desfoque eu quero) e a câmera cuida de todo o restante.

 

PAREI AQUI

 

VELOCIDADE:

 

É a velocidade com que o diafragma vai abrir e fechar.

 

Essa velocidade é representada por uma escala de tempo 1/1s, onde o primeiro 1 é um segundo e o segundo número é a fração de segundo. 

 

Quanto mais alto for o número depois da barra, mais alta a velocidade.

 

Quanto mais alta a velocidade (mais rápido o diafragma abre e fecha) menos luz entra.

 

Quanto menor a velocidade (mais lento o diafragma abre e fecha), mais luz entra.

 

Qual efeito criativo desse controle?

 

A velocidade tem o poder de congelar ou borrar o que está em movimento.

 

Ou seja, quanto maior o tempo que o obturador permanece aberto, mais chance de “borrar” ou tremer a foto.

 

Para fotos que exigem uma longa exposição (velocidade super lenta com alguns segundos de obturador aberto), como fotografar a lua por exemplo, a câmera deve estar fixada em um tripé, para não tremer. 

 

E quando se fotografa esportes, em que é necessário “congelar” aquela fração de segundo em que por exemplo, o surfista dropou a onda, o jogador chutou a bola ou o tenista marcou rebateu a bola, usa-se uma velocidade bastante alta (em torno de 1/500s).

 

Aqui no meu estúdio, por exemplo, quando vou fotografar bebês grandinhos que já ficam em pé e correm, costumo subir a velocidade para até 1/200s pois eles se movimentam bastante e dessa forma a foto não sai tremida ou borrada.

 

Já em fotos de Gestantes ou Newborn, costumo usar a velocidade de segurança 1/125s, pois é muito difícil uma foto sair tremida nessa velocidade.

 

Só uso velocidades abaixo de 1/60s por extrema necessidade, se estiver um final de tarde com dia nublado, por exemplo. Mas o risco de a foto sair tremida é alto.

 

Para se fazer aquelas fotos de cachoeira em que a água parece estar leitosa e parada, utiliza-se uma baixa velocidade.

 

Deu para entender até aqui?

 

Vamos recapitular para você não esquecer:

 

A câmera tem duas partes principais:

 

O SENSOR que captura a luz e transforma em imagem e o OBTURADOR que controla a entrada da luz no sensor.

 

Para controlar os efeitos criativos da imagem e a exposição dela (equilíbrio da luz – nem claro demais nem escuro demais), eu utilizo os três principais controles da câmera:

 

ISO – é a sensibilidade à luz e não tem grandes efeitos no criativo. Sempre use o menor ISO possível.

 

ABERTURA – É o tamanho da passagem da luz pela lente. Quanto maior a abertura (número f baixo) maior o desfoque na imagem. Quando menor a abertura (número f alto) menor o desfoque.

 

VELOCIDADE – É o tempo que o diafragma fica aberto para a luz passar. 

 

Velocidades altas congelam os elementos que estiverem em movimento e velocidades baixas borram o que estiver em movimento além de a imagem poder sair tremida.

 

Agora que você já sabe como funciona cada um desses controles, vou ensinar como usá-los na prática.

 

Como eu disse no início, é o conjunto dos ajustes deste três controles que determina como a exposição da foto sairá, pois o ISO diz para câmera qual é a sensibilidade à luz, a ABERTURA diz qual será o tamanho da passagem da luz e a VELOCIDADE diz por quanto tempo a luz vai passar pela abertura.



Ou seja, eles estão totalmente interligados e o mais legal é que mesmo sendo escalas diferentes (uma é número ISO, o outro é número f e o outra é /s, eles funcionam de forma  sincronizada e correlacionada.

 

Seria muito difícil saber se a exposição está correta ou não se não existisse um carinha na câmera chamado FOTÔMETRO. 

 

É através dessa escala que eu vejo se a foto está ficando subexposta (ponteiro à esquerda do centro), bem exposta (ponteiro no meio) ou superexposta (ponteiro à direita).  

 

Cada vez que eu aumento ou diminuo o ISO ou a Abertura ou a Velocidade, o ponteiro do fotômetro se movimenta na mesma quantidade de pontos alterada.

 

Ou seja, se eu diminuir a abertura em 2 pontos (maior entrada de luz) para dar um maior desfoque, posso compensar isso aumentando a velocidade em dois pontos ou diminuindo o ISO em dois pontos. Ou aumentar 1 ponto na velocidade e diminuir outro no ISO. Dá tudo na mesma!

 

Agora que você já sabe como funcionam os principais controles da câmera, vou explicar como eu faço para ajustar o meu equipamento antes de uma sessão fotográfica.

 

Utilizo dois critérios básicos:

 

1 – Qual desfoque quero ter na imagem

2 – Qual velocidade é mais adequada para aquela sessão.

 

Vamos supor que vou fazer uma sessão de acompanhamento de book bebê 

 

1- Eu ajusto a abertura para 4.f que é a menor abertura na lente 24-105mm, pois quero ter um belo desfoque.

2 – Eu ajusto a velocidade para 1/125s, para ter segurança que a foto não sairá tremida.

3 – Uso o menor ISO possível que deixe a exposição correta.

 

Se houver pouquíssima luz e não tiver o suporte de um flash, eu posso diminuir a velocidade um pouco para o ISO não ficar tão alto a ponto de estragar a foto. 

Em casos extremos eu também posso trocar a lente por outra “mais clara”, ou seja, que tenha aberturas maiores (2.8, 1.8). 

 

Como disse lá no começo, para aprender a dirigir um carro com câmbio manual, eu tenho que treinar até um ponto em que eu faça a troca de marchas sem nem perceber que estou fazendo isso. 

 

Fotografar no modo manual da câmera é a mesma coisa. Basta treinar repetidas vezes que em pouco tempo você estará dominando a técnica e fotografando sem gastar o seu “cérebro” para tomar essas decisões.

 

Se você está iniciando na fotografia, eu te aconselho a treinar o modo manual até ter certeza de que já não precisa pensar tanto para tomar as decisões e só depois começar a usar os modos semi automáticos, como o modo AV por exemplo.

 

Se você tiver alguma dúvida sobre essa aula ou se quiser que eu faça uma nova aula explicando como usar a câmera no modo AV, por favor, deixe o seu comentário aí no vídeo.

 

E se você gostou dessa aula, não esqueça de deixar o seu like, compartilhar essa aula e se inscrever no canal para receber em primeira mão todos os nossos vídeos.



Para perceber o impacto que uma indicação tem, basta observar o seu próprio dia-a-dia.

Quando uma pessoa chega falando que recebeu uma indicação para fotografar com você, perceba o quão mais simples é para esta pessoa fechar o ensaio.

Além disso, perceba que o custo que você teve para que este cliente de indicação chegasse até você foi praticamente nulo.

É a estratégia ganha-ganha: O cliente que indicou ficou feliz com as fotos e indicou a amiga que precisava desta orientação, por vez a amiga que recebeu a indicação não precisou fazer dezenas de cotações e visitas para descobrir um lugar sério e profissional para fazer as suas fotos. Você ganhou também pois realizou o seu trabalho dignamente e foi bem remunerado por isso e ainda ganhou uma cliente sem precisar investir em anúncios.

Além de tudo a cliente por indicação sabe exatamente o que quer e o que vai encontrar, pois ninguém indica shampooo para uma pessoa completamente calva.

E esses fatos se repetem em cada cliente por indicação, pois é o poder destas que trazem todas essas vantagens e ainda preparam mais um cliente para retroalimentar o seu estúdio.

Isso porque, o cliente que veio por indicação já sai super satisfeito e pronto para indicar também – se tiver tido uma boa experiência fotografando com você, claro! 

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